"Olhe Santo Antônio, já esperei demais. Fiz um monte de simpatia e até participei da trezena em sua homenagem. Até agora não arranjei nenhum namorado. Vou tirar o Menino Jesus dos seus braços e só devolvo depois que você atender o meu pedido. Mas veja bem. Não quero qualquer um não". Essa oração meio desaforada contém uma das simpatias mais conhecidas entre as mulheres. Quase todo mundo conhece alguém que já fez simpatia no período junino, seja para arranjar namorado, descobrir a primeira letra do nome do futuro marido ou até mesmo para saber em quantos anos vai casar. É na madrugada do dia 13 de junho (amanhâ), Dia de Santo Antônio, que muitas solteiras voltam a atenção para o santo casamenteiro.
Para conseguir um marido, vale colocar a imagem de cabeça para baixo, tirar o Menino Jesus dos braços do santo e ou botar o santo no congelador. A igreja celebra a data de forma especial. Amanhã, haverá três missas, às 6h30 e às 10h,além de missa solene às 19h no Convento Santo Antônio, Centro. Hoje, Dia dos Namorados, a programação no convento começa com o café dos pobres voltado para 120 famílias carentes atendidas pelos frades e pela Pia União de Santo Antônio.
Para frei Magnos Henrique Lopes, diretor do convento, a data é um convite à reflexão. É a oportunidade para os fiéis conhecerem um pouco mais a história de vida do santo, que foi chamado de "meu bispo" por são Franscisco e que ganhou fama por defender os valores da família e do casamento. Frei Magnos não é contra as simpatias, mas alerta para a supercialidade das orações."O matrimônio é algo sagrado e de muita responsabilidade", defende frei Magnos.
A telefonista Sandra Cid, 51 anos, fez várias simpatias quando adolescente. Certa vez, no Dia de Santo Antônio, o pai dela acendeu uma fogueira na frente de casa. "Quando ele foi acender, enchi a boca d'água e fui para trás da porta. Dizem que quando a gente enche a boca d'água, vai para trás da porta e alguém na rua grita um nome, a gente se casa com um homem com esse mesmo nome. Quando eu estava atrás da porta, gritaram "Márcio". Na minha cabeça, era para chamar outra pessoa. Cuspi a água com raiva. Não engoli. Depois de um tempo me apaixonei por ele, começamos a namorar e nos casamos. Foi a única simpatia que deu certo". Sandra e Márcio estão casados há 30 anos e têm dois filhos. Sempre que ela conta essa história, ele ri.
Mas essa não foi a única simpatia que Sandra fez. "Quando eu era solteira, jovem, tinha essa ilusão de fazer simpatias. Eu sempre fazia. Fiz várias. Fiz a da vela, que a pessoa bota a vela no prato, benze na fogueira e reza a Salve Rainha, a vela vai pingando e formando a letra do futuro marido. O engraçado é que eu não sabia rezar a salve rainha. Aí ficava a minha mãe rezando na sala e eu repetindo a oração. Ela me dizia 'eu não aguento mais não. Será possível que você não vai aprender essa oração nunca'. Todo ano era a mesma coisa", diz. "Uma vez, apareceu uma letra. Não deu para distinguir se era um "M". Saiualguma coisa, mas não deu para ver o que era. Na época, eu acreditava e achava divertido. Era uma fantasia. Era uma coisa tão gostosa. Não é como agora. Agora tudo é diferente", finaliza.
fonte DN online
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