Na tarde em que anunciou o lançamento do edital de licitação do aeroporto de São Gonçalo do Amarante -- o primeiro administrado por concessão privada no país --, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) era a homenageada de um almoço do setor de turismo na capital potiguar. Uma homenageada que, no entanto, quase não conseguiu discursar, tamanha a avidez que as demais autoridades (em especial o deputado Henrique Alves, líder do PMDB na Câmara) tinham pelo microfone.
Mas a governadora, nascida em Mossoró e médica de formação, não fez cara feia nem perdeu a descontração. Afinal, o nome dela há de ganhar peso político caso deem certo a conclusão e a administração do aeroporto no modelo de parceria público-privada (PPP). "No começo do ano, quando os governadores se encontraram pela primeira vez com a presidente Dilma, achei melhor levar um problema só: o da finalização do edital do aeroporto. Naquela ocasião e em outras depois, ela fez questão de afirmar o quanto isso era uma prioridade", disse a governadora.
O edital, divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil na última quinta-feira (12/5), estabelece que quem vencer a licitação terá direito a 28 anos de concessão. São três para o término das obras, que já se arrastam há mais de uma década(embora Rosalba preveja dois anos e meio para essa etapa), e 25 para exploração. No primeiro ano depois de inaugurado, o aeroporto -- localizado na região metropolitana de Natal -- deverá receber 2,9 milhões de passageiros. Estima-se que esse número aumentará para 11,4 milhões de viajantes no último ano de concessão. Com o novo terminal de passageiros, o atual (Augusto Severo) passa a ser somente de uso militar.
Última governadora integrante do DEM, Rosalba foi objeto frequente de uma pergunta entre os convidados do almoço: "Quando ela sai do partido?". E assegurou: isso não deve acontecer tão cedo. "Sempre fui contra essa história de, por qualquer motivo, você mudar de camisa."
ENTREVISTA // ROSALBA CIARLINI
O deputado Henrique Alves falou sobre a expectativa de o novo aeroporto se tornar a principal porta de entrada para passageiros e mercadorias no país. A senhora concorda com ele?
Mas a governadora, nascida em Mossoró e médica de formação, não fez cara feia nem perdeu a descontração. Afinal, o nome dela há de ganhar peso político caso deem certo a conclusão e a administração do aeroporto no modelo de parceria público-privada (PPP). "No começo do ano, quando os governadores se encontraram pela primeira vez com a presidente Dilma, achei melhor levar um problema só: o da finalização do edital do aeroporto. Naquela ocasião e em outras depois, ela fez questão de afirmar o quanto isso era uma prioridade", disse a governadora.
O edital, divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil na última quinta-feira (12/5), estabelece que quem vencer a licitação terá direito a 28 anos de concessão. São três para o término das obras, que já se arrastam há mais de uma década(embora Rosalba preveja dois anos e meio para essa etapa), e 25 para exploração. No primeiro ano depois de inaugurado, o aeroporto -- localizado na região metropolitana de Natal -- deverá receber 2,9 milhões de passageiros. Estima-se que esse número aumentará para 11,4 milhões de viajantes no último ano de concessão. Com o novo terminal de passageiros, o atual (Augusto Severo) passa a ser somente de uso militar.
Última governadora integrante do DEM, Rosalba foi objeto frequente de uma pergunta entre os convidados do almoço: "Quando ela sai do partido?". E assegurou: isso não deve acontecer tão cedo. "Sempre fui contra essa história de, por qualquer motivo, você mudar de camisa."
ENTREVISTA // ROSALBA CIARLINI
O deputado Henrique Alves falou sobre a expectativa de o novo aeroporto se tornar a principal porta de entrada para passageiros e mercadorias no país. A senhora concorda com ele?
Claro, estamos há muito tempo trabalhando nesse sentido. Ele vai ser realmente a porta de entrada das importações e vai fazer essa distribuição para o Brasil e a América Latina. A partir desse edital, que estabelece a concessão, nós vamos criar um instrumento que já estava programado, planejado, já há 14 anos e que vinha em passo de tartaruga. Eu vinha brigando isso desde a época de senadora... Mas agora vai.
E ele fica pronto a tempo suficiente para a Copa do Mundo?
Sim. Essa licitação, por ser internacional, tem um prazo. No máximo em outubro esperamos que já seja dada a ordem de serviço. Muitas vezes a obra pública extrapola o prazo de execução e sofre pela questão da burocracia, enquanto a iniciativa privada tem o interesse de ver isso concluído o mais rápido possível, até para aproveitar esse momento da Copa. E o novo aeroporto vai associar tanto a questão do negócio, com importações e exportações, quanto o embarque e o desembarque de passageiros em um espaço mais estruturado, com um potencial bem maior. Nosso aeroporto de passageiros já está pequeno, não consegue atender à demanda, ao crescimento do fluxo turístico.
Ele fica pronto em 2014 mesmo ou antes?
Há uma expectativa para que ele fique pronto em dois anos e meio. No fim de 2013 já devemos tê-lo pronto. É o que eu desejo e vou trabalhar para isso.
Como a senhora avalia o atual momento do DEM, que agora só tem a senhora como governadora? A senhora ficará no partido?
É verdade, o partido está fragilizado, em um momento difícil, mas isso não justifica que a gente o deixe. O DEM tem vereadores, prefeitos, senador e governadora, e o povo votou em mim -- como votou neles -- sabendo que eu era do meu partido. Sempre fui contra essa história de, por qualquer motivo, você trocar de camisa. Vamos analisar, é preciso um sentido maior, e não mudar por mudar. É preciso reunir todos os projetos de modo a buscar um fortalecimento maior da democracia. Esse é o ponto fundamental agora, nesse momento, nesse tratamento que estamos tendo, nessa convivência republicana que estamos tendo agora com o governo federal. A democracia tem que amadurecer para isso: agora que acabou a eleição, vamos dar as mãos em nome de uma bandeira. Aliás, duas: a do Brasil e a do Rio Grande do Norte.
Como fazer oposição quando se tem esse bom trânsito com o governo federal?
Não se perde a característica de oposição; ela se faz com responsabilidade. Naquela oposição viva, em uma democracia onde realmente exista cidadania, você tem que ter esse sentimento de mostrar sugestões que possam melhorar aquilo que o governo esteja fazendo. É isso que eu peço aos meus opositores aqui no estado. Para que ficar se digladiando com picuinhas? Quem perde é o povo. Então, cada oposição tem que ter suas características, mas com respeito, com maturidade e com o sentido de somar para que a gente possa fazer o melhor pelo Brasil. Democracia é isso: encontro de contrários que possam fazer o melhor pelo país.
E qual é a responsabilidade de ser uma das poucas governadoras do país (a outra é Roseana Sarney) em uma região do país conhecida pelo machismo e no momento em que o país é administrado pela primeira vez por uma mulher?
O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado a ter voto feminino, a primeira prefeita do Brasil, a primeira deputada, a primeira senadora. Na verdade, é um estado em que a mulher, comparativamente com outros mais ao sul, cresceu muito na representação política. Hoje, nós temos aqui uma reitora na universidade federal, uma juíza no Tribunal de Contas, várias vereadoras, há uma participação e ainda dá para crescer mais. O que nós temos de fazer aí, como nós (governadoras) somos duas, a responsabilidade é maior. Passamos a ter uma vitrine muito maior, mais iluminada. Temos de mostrar o nosso trabalho, mas sem perder a sensibilidade da mulher.
Fonte: Correio Braziliene
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